25 de mar. de 2016

A seleção, da Kiera Cass

Em A seleção, logo de cara, somos apresentados a um futuro pós 3ª guerra mundial, mais especificamente a um país chamado Illéa. Lá a sociedade é dividida por castas (entenda castas como: classes sociais). Há 8 castas. As castas inferiores trabalham para pessoas de castas superiores. Depois de nos situarmos no cenário em que a história acontece, podemos começar, de fato, a falar sobre a história.

America Singer é uma artista da casta Cinco. Ela vive em Illéa com sua família e tem uma amizade – bem colorida – com Aspen, além de ser o cara mais bonito de Illéa, segundo ela, ele também é um faz-tudo e de uma casta inferior a dela - ou seja, uma espécie de namoro que nunca acontecerá, pois não se é permitido que uma mulher namore/case/tenha qualquer relação com um homem de casta inferior. Mas esse não é o maior dos problemas que America terá que enfrentar. Num dia como qualquer outro, America recebe um formulário para participar d’A seleção, que é, basicamente, um convite às moças que tenham entre 16 e 20 anos para concorrer a vaga de casar com o príncipe, o Príncipe Maxon, e, consequentemente, torna-se a rainha de Illéa. Só de participar da seleção, a família de America já iria ser beneficiada. A mãe de America, feliz, queria que a filha participasse, é claro. Mas a garota não queria, por um motivo óbvio: Aspen.



"Não estava a fim de sacrificar meus sonhos, independente do quanto minha família fosse importante para mim. Além do mais, já tinha feito bastante por eles."

Entre dois dilemas: 1) ajudar a melhorar a vida da família ou 2) perder Aspen, pois se o príncipe a escolhesse, não teria volta; America acaba indo participar e tornando-se uma das selecionadas. Ela e outras 34 garotas vão ao palácio concorrer a uma coroa. Detalhe: o intuito de ir, segundo a própria America, foi para esquecer o Aspen – essa decisão foi tomada após uns desentendimentos. 

A vida dela muda completamente ao chegar no palácio. Lá, ela conhece o príncipe e tudo o que ela achava sobre ele estava errado. O príncipe é bonito, educado, bondoso, engraçado, charmoso. Não demorou muito para que eles formassem uma aliança. A ideia principal era que America o ajudaria a escolher uma rainha e, em troca, ela continuaria na competição e, com isso, beneficiaria sua família no final. As coisas mudam, quando um beijo acontece. Agora, America Singer, confusa, começa a refletir sobre tudo: Príncipe Maxon, o beijo, seus sentimentos e Aspen que, só para aumentar a curiosidade de vocês, está, agora, trabalhando no palácio, fazendo a segurança do quarto de America...
Minha cara de que: vai rolar "treta"? Vai, sim. Quero ver? Quero. Muito.
Você devem saber que eu amo/adoro/sou histórias distópicas. E claro: não poderia deixar de ler o livro que se tornou viral. Logo, fui com muita, mais muita sede ao pote e não me arrependi. Apesar de achar um pouco parecido com outros livros distópicos, principalmente Jogos Vorazes, achei que, também, a Kiera Cass trouxe o seu toque de originalidade ao livro, nesse caso: a realeza.

Antes de continuar, quero apresentar 2 pontos: 1) A Seleção não é livro de garota. Parem de achar isso!; 2) Parece ser uma história fútil? Sim, parece. E muito. Porém há assuntos que subjazem essa "futilidade" e digo-lhes: desigualdade social, brigas políticas, questões relacionadas ao machismo. Assuntos relevantes e tratados de uma forma tão sutil que muitos nem perceberam.

America é o tipo de garota que, apesar de jovem, tem que trabalhar cedo. Afinal, a situação da família Singer não é umas das melhores. O dilema enfrentado por ela é aceito, pois Aspen é o primeiro amor dela, gente, depois ela se desilude. E essa paixão pelo Aspen deixou a personagem um pouco egoísta, pensando somente nela, pelo menos ela teve bom sendo e fez uma escolha boa. Aspen é aquele cara que gosta de ter o controle de tudo e muitas vezes ele apresentou uma atitude bem machista perante as atitudes de America. Aceitar algo de uma mulher não faz de um homem inferior a ela. Só lembrando. Diferente de Aspen, o Príncipe Maxon é o cara que toda mulher gostaria de ter - podem suspirar - e o que me fez gostar dele foi a compreensão dele ao sabe sobre a situação em que a protagonista encontrava-se.

Achei desnecessário esse triângulo amoroso? Sim. Por que? Por que houve um tempo em que a autora esqueceu dos outros temas e só focou no romance que, algumas vezes, era repetitivo, chato, meia-boca. Mas, digo-lhes uma coisa, independente do quão chato e repetitivo o romance foi algumas vezes, a curiosidade de saber quem seria O Escolhido sempre esteve aqui, e ainda continua. Não comecei a ler os outros livros, então não digam spoilers nos comentários. Obrigado. Por nada. 

Com a narrativa em primeira pessoa, podemos saber como se sentia a participante d'A seleção. Seus medos, expectativas, confusão eram sentimentos que sabíamos que ia acontecer. Afinal a America estava num lugar totalmente novo e cheio de luxo. Algo totalmente diferente da realidade em que ela vivia. A narrativa foi ótima para conhecermos mais a protagonista. Um fator muito positivo também foi a forma como a autora apresentou o cenário, regras paras os moradores de Illéa, o funcionamento da competição e afins. Foi algo bastante claro. Não deixando dúvidas no leitor. Preciso falar da diagramação e revisão: sim. Estava muito boa. Não notei erros. E a capa? Nem preciso falar... Faz total referencia à história.

Em suma, é um livro que recomendo. Traz assuntos importantes. É capaz de nos entreter, e deixar curioso qualquer leitor que se coloca no lugar de America. E a dúvida que fica é: para que time você torce? Team Aspen ou Team Maxon? Eu tenho o meu.